Estagiário(a) com experiência

Em tempos de crise, comportamentos que antes eram apenas pequenos deslizem, ganham proporções assustadoras, algumas são promovidas a regras de mercado sem ao menos nos darmos conta se é ético ou não e o que traz de melhoria ao mercado como um todo.

Nos últimos anos, a contratação de profissionais fez parte da minha rotina de trabalho, buscando em grupos no Facebook, Linkedin e sites especializados. Acompanho esses grupos e sempre que posso dou uma olhada nas vagas publicadas. De um tempo para cá, começou a me chamar a atenção a quantidade de publicações solicitando estagiário com experiência.

A surpresa e curiosidade em tentar entender o que está por trás desse tipo de busca, me fez acompanhar mais a fundo alguns posts. As pessoas reagem negativamente a essas publicações, porque também não entendem as reais intenções dos recrutadores, muitas vezes acusando-os de “espertinhos” ou coisa pior. Em algumas dessas discussões, os responsáveis pelas vagas se defendem dizendo que buscam por um profissional que ainda está estudando, mas que já passou por estágio em outra agência/empresa, justificando que é este o perfil que desejam, sem maiores explicações.

Claro que existem pessoas nessas condições, procurando por um emprego. Só que a discussão aqui, e de uma boa parte do mercado, é até que ponto essa busca visa o desenvolvimento e aprimoramento do profissional (principal missão do estágio), ou será apenas uma forma de baratear os custos com a equipe, delegando tarefas e responsabilidades de um profissional formado a um estagiário?

Em tempo…

O estágio é a prática profissional que realiza um estudante para pôr em prática os seus conhecimentos e as suas competências. O estagiário é o aprendiz que leva a cabo esta prática com a intenção de obter experiência de campo, ao passo que quem se encarrega de o orientar e formar é o tutor.

O objectivo do estágio, por conseguinte, é proporcionar experiência laboral ao estagiário e prepará-lo para que se possa desenvolver no sector de actividade associado à sua futura profissão. A remuneração que aufere pelo estágio é nula ou fraca, o que, em muitos casos, é aproveitado pelas empresas para contratar mão-de-obra barata.

 

Algumas questões que envolvem essa prática:

– Profissionais formados perdendo espaço no mercado

– Salários em queda

– Estagiários respondendo a níveis cada vez mais altos de responsabilidade

– Mercado se caracterizando por perfil “Junior” dos profissionais

– Desvalorização da experiência, dando espaço para os “achistas” de plantão

Já desestimulei alguns gestores de irem por este caminho, optando por contratar um número menor de pessoas, em troca de profissionais formados e distribuição justa de atribuições. Porém, não é sempre que temos essa oportunidade, muitas vezes colocando nosso cargo em risco, dependendo da situação.

Minha esperança é que os administradores vejam logo que esta prática é nociva para todo o mercado, com profissionais sem mentores, batendo cabeça e gerando grande desgaste entre a equipe e também com o cliente, comprometendo e muito a qualidade da entrega.

 

Fonte: http://conceito.de/estagio#ixzz46IsqvAjZ

Mercado publicitário – Chegou a hora de mudar

O modelo de negócios tradicional já não funciona mais e um novo ainda está sem definição. Ideias, dúvidas e incertezas são as palavras que povoam as mentes mais inquietas da publicidade nacional.

Este fato não é novo, há pelo menos 20 anos o mercado sofre com as novas mídias, com a tecnologia desafiando a criatividade e profissionais indo muito além do que o marketing e até as agências pudessem acompanhar. São anos e anos buscando uma nova forma de atuação, que agregue as novidades e trace algum panorama mais seguro, algo que não aconteceu para muitas e que, ainda hoje, causam inseguranças e desafios para aquelas que continuam correndo atrás do tempo perdido.

Como uma nova onda de modernização, o modelo de negócios das agências de publicidade está sendo desafiado a se reinventar para atender às necessidades do mercado e dos profissionais. Pensar no modelo antigo para idealizar o novo já não faz mais sentido, isso foi feito como tentativa de “absorver” o digital e vimos a grande confusão gerada, com trabalhos desconexos, muita verba perdida com investimentos equivocados e a criação de um estereótipo que até hoje tentamos nos desvencilhar.

E por que mudar?

O mundo muda, as pessoas mudam, as necessidades mudam e a vida toma novos rumos. As empresas e instituições que desejam estar próximas dessas pessoas precisam mudar, se adequar ao novo pensamento e modo de vida. Do contrário, ficarão em um modelo obsoleto, arcaido e muito distante das pessoas.

Como citado pelo CEO da Talent, José Eustachio, em um vídeo recém publicado pelo Meio&Mensagem:

“Consumidor não existe, o que existem são as pessoas…”

As barreiras estão sendo quebradas, os profissionais estão indo muito além das suas funções, o efeito da globalização parece ter chegado de vez e causado grandes transformações nas relações das pessoas.

Para aqueles que ainda preferem resistir, vale lembrar que a decisão tardia pode trazer ainda mais problemas, escolher o caminho da aceitação parece ser o menos dolorido e com resultados mais prósperos.